Porque pintar unha apenas de vermelho quando há tanto por onde escolher?

domingo, 6 de maio de 2012

Vermelho

Hoje é um post especial e gostaria de dedicá-lo à minha irmã Paula.
A frase que abre este blog - Porquê pintar unha apenas de vermelho quando há tanto por onde escolher? - tem uma razão de ser, apesar de ter demorado muito para o entender, aceitar e por fim, conseguir deixar de lutar contra.
Aprendi a tratar as unhas com minha mãe, aos 9 anos ofereceu-me o primeiro estojo de manicure, prenda que adorei. Recordo com o maior carinho, quem sabe, os momentos mais próximos de nossa relação mãe-filha de toda a nossa vida. Nessa época, outras mães e filhas até poderiam ir no salão fazer as mãos, mas não nós, minha mãe tinha uma natural aptidão para arranjar o cabelo sempre impecável e gostava de ser ela a fazer sua mani. Íamos no salão sim, cortar o cabelo, mas na minha recordação seletiva de menina, não trago essa memória da infância e adolescência: não me lembro sequer de ver as personagens manicures nos salões, como se não existissem, porque eu não as veria como peça útil ou fundamentadas em minha vida e de quem me rodeava.

The Unfeeling Kiss - Gabriel Yared

Minha mãe morreu demasiado jovem,  com 41, tinha eu 19 anos. Foi um choque terrível sobre toda a família, mas pessoalmente levei essa perda a mal. Ninguém morre tão nova, com tanto para viver ainda.
 Me revoltei contra Deus e o mundo por demasiados anos, me refugiei em mim mesma da profunda dor, revolta e raiva que me provocou, modificou toda minha forma de estar e viver, todo o final da minha adolescência. Quando foi o ano de eu passar dos 40 para os 41 anos, ainda não tinha aceite a morte de minha mãe, vinte anos volvidos,  era tão nova e foi para mim uma fase estranha, percepcionar-me na mesma idade, sentir-me tão jovem ainda e a minha revolta ao invés de apaziguar, só aumentou. Fez-me dano demais não a ter comigo em momentos fulcrais da vida de uma menina. O dia de meu casamento, mas mais ainda no dia da compra do vestido de noiva... no dia que soube estar grávida, no dia do nascimento queria tanto poder dizer-lhe: és avó! No do baptizado, no que pensei querer divorciar-me, nas minhas próprias decisões de Mãe, tanto que quis seu colo, seu carinho, suas palavras, seu olhar terno sem palavras, esse olhar que sempre me acompanha no silêncio da sua partida cedo demais.
No dia-a-dia sempre que me cruzo com mães e filhas juntas falando disso e de nada, amigas minhas que implicam com as mães, dizem serem umas chatas e eu sempre reclamo: 'cala-te sabes lá o que dizes, tens a tua mãe contigo' e como acabo no acto com essa conversa com a minha dor que nunca foi calada...
Um dia percebi porque tinha essa malapata com os tons de vermelho nas unhas: eram cores da minha mãe, eu as evitava porque as sentia como propriedade alheia que não se toca e no caso até as respeitava. Adoro ver uma mão mani em vermelho, mas não as minhas, porque a cada gesto meu vejo a minha mãe e isso me doía demais. Daí a ter embirração pura por esmalte vermelho. Mas na verdade o facto de reconhecer um acto que nos parece aleatório, sem explicação, fica simples simples de o entender, respeitar e até superar.
Tenho consciência que só me apaziguei com a partida de minha mãe faz um ou dois anos, vai lá saber-se o porquê de tantas décadas para fazer meu luto, simplesmente tranquilizei e aceitei de coração o que já acontecera há tantos anos. Quem sabe escolhi o Amor, em vez da Dor que me não dava paz.

Rita Redshoes - Choose Love

Este post, em Dia da Mãe, é especial e assino eu.


P.S. - Para as minhas amigas Ana Carolina de Lima e Amanda Caballero da Rocha ixi ... escrevi bem ou fico sem ponto...? aqui fica um vermelhinho malandro e zoador pra elas. Meninas amo vcs <3 mesmo sem rivotril revlon!!

8 comentários:

Cantinho da Jah disse...

Ki coisa linda Ana, alias vc escrevendo eh sempre assim neh?? Nos emociona!!!
Lindo!!!
Bjoks

Carol disse...

Ana, so vou registrar q estive por aqui! Depois falo com vc! Sem conficors agora! Bjo ! Te amo!!

Larissa Bohnenberger disse...

Ai, Ana, o que comentar? Esse dom que tu tens de usar as palavras para fazer brotar emoções dentro dos que te leem, não muito a falar sobre ele. Estou chorando aqui. Lindo texto! Feliz dia da mãe pra ti também, que é essa super mãe que todas nós admiramos tanto! Super beijo!

Lelê Guedes disse...

Ai, Ana... não sei se a emoção vai me permitir comentar com clareza. Voce sempre me emociona, e este fez-me lembrar da minha que já não a tenho desde bebê, e a falta que me fez e faz até hoje.
Enfim... vamos que vamos... como vc diz "a vida é prá ser sorrida".

Feliz dia da Mãe, Ana tão querida por mim.
beijos coloridos

Rosemary Goldner disse...

Amiga, sei exatamente o que dizes! Eu ainda tenho mae e vivo grudada nela, faço o q posso e vivemos intensamente esse amor. Eu tinha tantas mágoas dela, mas hj, depois de tanto conviver, consegui elucidar tudo q havia de obscuro em nossas vidas! Sei bem a sua dor, pq eu vivo isso em relação ao meu avô! Como nao tem dia do avô eu passo maus bocados no dia dos pais!
Vc me emocionou muito hj! Deus te abençoe esta mae maravilhosa q vc é ! Bjs

Amanda disse...

Eu tinha tentado comentar aqui antes, mas o celular não deixou!!
Bem, eu já tinha lido o texto, e novamente vc me emocionou!
mas, eu tenho q te dizer uma coisa, apesar da ida tão repentina de sua mãe, creio que ela cumpriu a missão e te criou mto bem, e fez vc ser a mulher que vc é, e uma mãe maravilhosa, assim como ela!
Bjos

Pedacinho disse...

Obrigada pela força e apoio! :)
E adorei o seu blog! Têm aqui mais uma leitora.
Beijinhos,
Beatriz

Gisela disse...

Eu, atrasada como sempre, só agora li o teu post. Sei, das vezes que falámos sobre o assunto, o quanto essa dor esteve presente na tua vida e sei o que te custa falar sobre algo tão delicado. Sinto que ao colocares em palavras os sentimentos, penso que a catarse se vai fazendo, a pouco e pouco. Para ti e para todas as mães e filhas, um beijinho muito especial :)

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